Mundo interior, exterior e a psique

“Da consideração das exigências do mundo interno e do mundo externo, ou melhor, do conflito entre ambos, procederá o possível e o necessário.” Jung

“As coisas do mundo interior influenciam-nos subjetiva e poderosamente, por serem inconscientes. (…) Da consideração das exigências do mundo interno e do mundo externo, ou melhor, do conflito entre ambos, procederá o possível e o necessário. Infelizmente, o espírito ocidental, desprovido de cultura em relação ao problema que nos ocupa, jamais concebeu um conceito para a união dos contrários no caminho do meio.

Esta pedra de toque fundamental da experiência interior não tem, entre nós, nem mesmo um nome para figurar ao lado do conceito chinês do Tao. Esta realidade é ao mesmo tempo a mais individual e a mais universal, o cumprimento legítimo do significado da existência humana.”

C.G.Jung: “O Eu e o Inconsciente”. §327

Vivemos em uma sociedade que supervaloriza o mundo exterior em detrimento da experiência interior, que é essencial para a existência humana. Não se trata apenas da manutenção de corpos vagando pelo mundo, mas da necessidade de um vínculo profundo com a alma. Quando esse vínculo se rompe, é comum surgirem melancolia, depressão e outras perturbações que, muitas vezes, não conseguimos escutar de forma criativa.

No entanto, o reencontro com o mundo interior só será genuíno se compreendermos, não apenas intelectualmente, mas de forma profunda, que não somos seres supremos, iluminados ou plenamente “individuados”. A individuação, na perspectiva de Jung, está longe de ser um estado de perfeição. Onde há luz, também há sombra. Somos, ao mesmo tempo, grandiosos e insignificantes, conectados tanto às alturas quanto às profundezas. Essa é a nossa condição humana.